09/05/2012

A morta


Ainda não tenho minha frase para colocar em minha lápide, não comprei meu caixão e muito menos redigi meu testamento. Mas não preciso de muita coisa para saber que estou morta. Para você.

Desde o dia em que notei que nossa amizade não era mais "nossa amizade", mas sim, "sua amizade" e que você se via como amigo ideal e perfeito, e idealizava que eu fosse assim, senti como se você estivesse me matando aos poucos. De forma lenta e dolorosa.

Conseguiu. Você cavou minha cova pelas minhas costas e comprou o caixão por um preço mais barato do que o que você gastou com o que chamava de amizade. Me enterrou com seu orgulho e desprezo e nem sequer uma flor jogou para dizer adeus.

Se eu fui esquecida? Claro que não, nos momentos de mais egoísmo seu, você insiste em ir ao meu túmulo me perturbar, ir ver a morta que agora você pretende ressuscitar, já que não achou uma amiga como eu, que além de tentar te deixar menos frio, ainda sim, depois de morta, tenta fazer de tudo para acabar com sua falta de humildade. É em vão eu sei, mas quem sabe?! A morta aqui, ainda tem um coração que bate forte, que mesmo depois de ser pisoteado, ainda bate compaixão. Só não se esqueça, que assim como todo cadáver, sou fria e com você, sou um iceberg! 


2 comentários:

Roberta Ferreira disse... [Responder comentário]

O__O me fez relembrar algumas coisas ...

Elisandra Fernandes disse... [Responder comentário]

Acredito que muitas pessoas já passaram por isso, Roberta!

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